Especialistas afirmam que reprodução de cenas violentas contínuas estimula crianças à agressividade
Armas de brinquedo, desenhos de luta, games com morte. Esses são elementos fáceis de serem identificados no dia a dia das crianças. Embora de forma diferenciada, tanto o desenho quanto os jogos e as brincadeiras possuem uma característica em comum: transmitem indiretamente mensagens de violência. Mas até que ponto brincadeiras como essas podem influenciar o processo de crescimento de uma criança?
Os desenhos veiculados na televisão, por exemplo, são compostos por personagens de lutas que oscilam entre vilões e mocinhos. Nos games, como o GTA, a criança desenvolve estratégias para eliminar seus adversários. Por ultimo, e não menos importante, temos as famosas armas e espadas de plástico, comum no cotidiano das crianças. O elemento principal que revela a face dessas brincadeiras é eliminar o adversário, na luta por poder e liderança.
As crianças, ao fazerem uso desses entretenimentos, suspendem a relação com a realidade, se inserindo em um mundo de fantasia, onde usufruem da sensação de poder e liberdade. Na infância, há um processo de construção da personalidade e do caráter, e o contexto onde ela se encontra é determinante para a formação de sua índole.
Alguns especialistas afirmam que o convívio das crianças com esses elementos podem transformá-las em adultos violentos. É o caso da psicóloga Zilda Pedroso. Ela acredita que esse tipo de diversão atribui indiretamente artifícios negativos para o desenvolvimento do caráter das crianças. “Existe uma deficiência nos conceitos vigentes atuais da sociedade, onde se torna algo comum convivermos com a violência e ausência de valores”, afirma.
Responsabilidade social ou midiática?
Com a rápida evolução da tecnologia, o público infantil exige cada vez mais produtos avançados e diferenciados no mercado. Dessa forma, houve uma queda significativa na qualidade dos produtos disponíveis, pois a maioria já não possui referência positiva a ser transmitida para as crianças. É possível identificarmos isso nos desenhos animados, que não são mais fantasiosos como antigamente.
Acompanhar a evolução tecnológica, atender às demandas do mercado e manter um nível de exemplo e educação para as atuais e futuras gerações se tornou algo difícil. A pedagoga Roseli do Couto responsabiliza os adultos. “A sociedade estimula a violência a partir da criação e proliferação de jogos que propagam a mesma. A cabecinha de uma criança é como uma esponja: absorve tudo a sua volta”, diz.
Ela reforça que não há como calcular o quanto o convívio com a violência pode afetar o comportamento de uma criança em longo prazo. ”É necessário supervisionar o que as crianças têm como referência, pois aquilo que assistem, jogam e brincam pode desviar gradativamente seu comportamento, transformando-o mais tarde em um ser agressivo e violento”, analisa.
O outro lado da brincadeira: games a serviço da construção do conhecimento
O amplo uso de computadores e games chama a atenção de estudiosos, que apontam as implicações existentes nesses elementos para o processo educativo de crianças e adolescentes. Mesmo classificando os jogos como algo prejudicial à formação das crianças, há contextos que contradizem essa teoria.
Estudos realizados em diversos países apontaram os games como ferramenta indispensável para o processo de educação e aprendizagem, auxiliando até mesmo na recuperação de pacientes que enfrentam doenças neurológicas, por exemplo. O psicoterapeuta José Silvio Ribeiro afirma que jogos de computador e vídeo game auxiliam no tratamento de pacientes.
O profissional afirma que o estímulo provocado pelos jogos traz benefícios. “É importante exercitar a mente do paciente, estimulando a reflexão e a criatividade. Existem alguns jogos no mercado que requerem atenção do jogador. Isso influencia positivamente crianças com déficits de atenção, que apresentam quadro de depressão ou que são hiperativas”, explica.
Os jogos, portanto, também podem se apresentar como recursos positivos. Porém, o psicoterapeuta alerta para os excessos. “Acredito que tudo que é em excesso se torna prejudicial à saúde. Os pais devem estabelecer limites e não proibir essa forma de entretenimento, que foi comprovada o quanto pode ajudar crianças e adolescentes que se encontram em tratamento, sejam eles de origem emocional ou traumatológica”, orienta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.